As configurações de cookies neste site são definidas para que possamos dar-lhe a melhor experiência enquanto estiver aqui. Se desejar, você pode alterar as configurações de cookies a qualquer momento em seu navegador. Ao continuar navegando você concorda com a nossa política de privacidade.
Aceitar e fechar
 

DOM BOSCO e a Retidão dos Propósitos: O Essencial que nos Salva

“Faz muito quem faz o que deve; não faz nada quem faz muito, mas não faz o que deve”.

Revista Rainha dos Apóstolos

08.01.2026 - 11:35:00 | 3 minutos de leitura

DOM BOSCO e a Retidão dos Propósitos: O Essencial que nos Salva

Dom Bosco nasceu em 1815, em meio às dificuldades de uma Itália rural e empobrecida. Sua infância não teve brilhos: perdeu o pai cedo, trabalhou duro na roça e sentiu na pele as dores que mais tarde reconheceríamos como o coração de sua missão: cuidar dos jovens abandonados, perdidos e sem horizonte. Mas, por trás de cada dificuldade, Deus preparava nele uma retidão interior que marcaria toda a espiritualidade salesiana.

A história de Dom Bosco não é apenas a de um sacerdote criativo, educador brilhante e fundador de uma congregação. É a história de um homem que descobre cedo que a vida tem um eixo, ou seja, que tudo o que não gira em torno desse eixo se dispersa. Ele chamava esse eixo de “dever”.

Não o dever frio, burocrático ou mecânico, mas o dever que nasce do essencial, que aponta para o propósito, o dever que revela a vontade de Deus. Por isso, sua frase ecoa como um farol que não perde força com o passar dos séculos:

“Faz muito quem faz o que deve; não faz nada quem faz muito, mas não faz o que deve”.


Perigo da superficialidade 

Dom Bosco percebeu que a alma humana é capaz de se perder não apenas nos pecados, mas nas distrações, nos excessos, nas agitações que parecem virtudes, mas que nos afastam do essencial. O mal da superficialidade, tornou-se ainda mais urgente no século XXI. Somos uma geração cheia de movimento e vazia de direção. 

Vivemos cercados por “muitos fazeres”: tarefas, compromissos, projetos, telas, urgências inventadas, metas que se multiplicam sem descanso. Mas quantos de nós vivemos o dever? Quantos de nós buscamos o essencial naquilo que sustenta, purifica e ordena a vida inteira?

“Faça o que pode, Deus fará o que não podemos fazer. Confie sempre em Jesus Sacramentado e em Nossa Senhora Auxiliadora e verá o que são milagres”.

A marca da confiança na Providência Divina acompanha toda a obra de Dom Bosco. Ele não fundou escolas para que os jovens tivessem apenas instrução. Ele os formou para que fossem “inteiros”. Queria que cada um descobrisse seu propósito e o vivesse com honestidade, valentia e serenidade. Esse é o método para a produção de santos: homens e mulheres verdadeiros.

E talvez essa seja sua mensagem mais importante para nós hoje.


Aprofundar o hoje

O novo ciclo que se inicia, 2026 e os anos que virão não precisam ser apenas “um tempo novo”. A história está cheia de tempos novos que nada mudaram. O que precisamos, como geração, é de um profundo hoje. Um hoje habitado, consciente, alicerçado no essencial; um hoje que devolva às nossas escolhas o sabor do dever bem cumprido; um hoje que nos faça reencontrar aquilo que realmente importa.

A espiritualidade salesiana nos ensina que a santidade não está nos grandes feitos, mas nos pequenos atos feitos com retidão. Está no olhar atento às necessidades reais e na capacidade de recolher a alma do excesso de distrações e colocá-la, de novo, na presença de Deus. Está em agir com constância e humildade e em cumprir o nosso dever. 

Porque “quem faz o que deve, de verdade, já faz muito. E quem faz muito, mas não faz o que deve, não faz nada”.



Leonardo Baldissera

Relações Internacionais pela UFSC, Mestre em Negócios Internacionais pela Université de Montpellier III (França)

Mais em Revista Rainha dos Apóstolos
Veja mais
 
 
Edição gratuita}
Fechar
Edição gratuita
Deixe-se transformar por conteúdos que alimentam a fé e enriquecem a alma, 7 dias de acesso totalmente gratuito!